Associações de imprensa cobram remuneração por notícias veiculadas na web

Inspiradas em uma lei australiana, entidades pedem retorno financeiro pelos conteúdos divulgados em plataformas digitais, como Facebook e Google

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Associações de produção de notícias divulgaram comunicado cobrando “remunerações justas e razoáveis” por conteúdos jornalísticos divulgados em plataformas digitais, como redes sociais e os serviços de busca. A divulgação do manifesto ocorreu nesta terça-feira, 21. Entre as 18 entidades, estão associações do Brasil, do Canadá e de outros países latino-americanos

De acordo com o jornal Estadão, o movimento foi inspirado em uma lei australiana, aprovada em 25 de fevereiro deste ano. Na Austrália, o Código de Negociação Obrigatória para Mídia de Notícias e Plataformas garante que as plataformas “paguem aos meios de comunicação pelo uso que fazem do seu conteúdo, com o qual obtém muitos benefícios, diretos e indiretos”.

No Brasil, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) foi uma das entidades que assinou o manifesto. De acordo com o presidente da ANJ, Marcelo Rech, a remuneração dos veículos de comunicação é uma forma de evitar o fim da imprensa. “O plano de fundo desse manifesto é a defesa do ecossistema jornalístico e da democracia, que são pilares da sociedade. Em algum ponto do futuro, pode haver um virtual desaparecimento do jornalismo profissional, com consequências extremamente danosas à sociedade”, diz.

A movimentação das entidades está relacionada às mudanças na forma de consumo de notícias: audiências maiores do que nunca, mas retorno financeiro desproporcional. “As receitas que financiavam o jornalismo profissional são absorvidas por intermediários que concentram mais de 80% da publicidade digital no mundo”, diz o comunicado das entidades, se referindo a plataformas como Google e Facebook.

“São louváveis as iniciativas recentes de Google e Facebook, cujo objetivo é pagar à mídia em alguns países pela licença de conteúdo. Porém, acreditamos que esses programas ainda não são a resposta justa e completa de que o setor precisa”, diz o comunicado. Na última quinta-feira, 16, o Facebook divulgou investimento voltado a empresas jornalísticas brasileiras. O jornal O POVO é uma das empresas jornalísticas selecionadas.

Ainda, segundo o Estadão, o presidente da ANJ classifica iniciativas como a do Facebook como “louváveis”, mas ainda insuficientes para reverter um possível fim do jornalismo profissional. “Temos informações iniciais de que as negociações de veículos de comunicação da Austrália chegaram 500 milhões de dólares australianos (aproximadamente R$ 1,9 bilhão na cotação atual)”, diz.

Para Marcelo Rech, outro problema é a falta de apoio político no Brasil. “A situação na Austrália é muito peculiar, porque governo, Congresso e sociedade deram amplo apoio ao projeto. Obviamente no Brasil nós não temos o apoio do Executivo, até porque boa parte dos veículos de comunicação, exercendo sua atividade jornalística independente, são alvos do Executivo.”, declarou o representante da ANJ.

Questionado sobre a reivindicação das associações de imprensa, o Google divulgou nota em que afirma estar comprometido em “garantir um futuro robusto para a produção de notícias”. “Como uma das maiores empresas que mais apoia financeiramente o jornalismo de qualidade, nós acreditamos que temos uma responsabilidade compartilhada de garantir um futuro robusto para a produção de notícias e estamos comprometidos em fazer a nossa parte para que isso aconteça”, declarou a empresa.

Já o Facebook, em nota assinada por Claudia Gurfinkel, diretora de parcerias de notícias do Facebook para a América Latina, declarou estar “investindo mais de US$ 1 bilhão em jornalismo globalmente”, além de colaborar e apoiar o papel fundamental do jornalismo na democracia.

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