Beijing instaria empresas a atrasarem projeto de lei que visa aumentar a competitividade dos EUA

A China tem pressionado executivos, empresas e grupos empresariais dos EUA nas últimas semanas, através de cartas e reuniões com um leque amplo de atores da comunidade empresarial, segundo a mídia.

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Cartas enviadas pela embaixada da China em Washington têm pressionado executivos empresariais a pressionar os membros do Congresso para que alterem – ou derrubem – projetos de lei específicos que visam aumentar a competitividade dos EUA, informa a agência Reuters.

As autoridades chinesas advertiram as empresas norte-americanas que correriam o risco de perder sua participação do mercado na China caso a legislação se tornasse lei, de acordo com o texto de uma das cartas.

Fontes informaram que o pedido de Pequim também deixou alguns indivíduos que receberam cartas preocupados, sendo que poderiam ser acusados de violar a Lei de Registro de Agentes Estrangeiros (FARA, na sigla em inglês) se eles pressionassem os legisladores em Washington sobre questões semelhantes no futuro.

Como resultado, nenhuma das fontes quis ser identificada como tendo recebido ou visto as cartas.

Pequim vê as medidas – que se mostram hostis ante a China em questões de direitos humanos e comércio – como parte de um esforço dos EUA para combater o crescente poder econômico e geopolítico do gigante asiático.

“Esperamos sinceramente que vocês […] desempenhem um papel positivo ao exortar os membros do Congresso a abandonar a mentalidade de soma zero e o preconceito ideológico, parar de falar em projetos de lei negativos relacionados à China, e eliminar disposições negativas, de modo a criar condições favoráveis para a cooperação econômica e comercial bilaterais antes que seja tarde demais”, disse a embaixada chinesa em uma carta enviada no início de novembro deste ano, citada pela mídia.

Os documentos em causa apontam que “a promoção de uma cadeia de fornecimento [sem a presença] da China resultará, inevitavelmente, em um declínio na demanda da China por produtos norte-americanos, e de empresas norte-americanas pela perda de participação do mercado e da receita na China”, citados na matéria.

Duas das fontes disseram que mensagens semelhantes foram transmitidas em reuniões com funcionários da embaixada chinesa. Uma outra fonte disse que a abordagem parecia destinada a fazer com que as empresas atrasassem o processo legislativo em vez de bloquear totalmente os projetos de lei, conta a Reuters.

A embaixada da China e o chefe de seu escritório econômico e comercial, por sua vez, ainda não responderam aos pedidos de comentários.

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