Bolsonaro abandona ataques e usa tom conciliador com China: “Essencial na produção de vacinas”

A fala de Bolsonaro representa um recuso de sua postura agressiva em relação aos chineses durante a pandemia

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Opresidente Jair Bolsonaro (sem partido) adotou, nesta quinta-feira, 9, um tom conciliador ao tratar da China em encontro virtual da cúpula do Brics. em seu pronunciamento, o chefe do Executivo disse que o país foi essencial para a gestão da Covid-19 no Brasil, em especial pela produção de insumos para vacinas contra a Covid-19.

A fala de Bolsonaro representa um recuso de sua postura agressiva em relação aos chineses durante a pandemia, quando a China era alvo de críticas diretas de ministros como o da Educação, Abraham Weintraub, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Ao se referir à China durante discurso no qual falou sobre parcerias bilaterais com os outros integrantes do Brics (Índia, Rússia e África do Sul), Bolsonaro disse: “Essa parceria tem se mostrado essencial para a gestão adequada da pandemia no Brasil, tendo em vista que parcela expressiva das vacinas oferecidas à população brasileira são produzidas com insumos originários da China”.

Curiosamente, ao longo da pandemia, os principais ataques de Bolsonaro à China ocorreram por meio de críticas aos imunizantes produzidos no país, exatamente o ponto em que fez elogios em seu discurso nesta quinta. O alvo preferencial de Bolsonaro era a CoronaVac, produzida em parceria do instituto Butantan, ligado ao Governo e distribuída primeiramente em São Paulo. Na época, houve atritos entre Bolsonaro e o governador de SP, João Dória (PSDB).

Outros imunizantes, como o desenvolvida pelo AstraZeneca e produzido no Brasil pela Fiocruz, também depende de insumos chineses para a sua fabricação. A 13ª Cúpula do Brics, grupo formado Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, é realizada por encontro virtual a partir de Nova Deli, na Índia, país que ocupa a presidência do bloco em 2021.

Polêmicas

Em maio deste ano, o presidente sugeriu que o vírus foi criado em um laboratório na China. Para atestar sua afirmação, ele insinuou que o país asiático se favoreceu economicamente durante a pandemia. “Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês”, declarou. Em resposta, o governo da China avisou que se opõe com firmeza a “qualquer tentativa de politizar e estigmatizar” a pandemia de coronavírus.

Em outro episódio, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, atualmente fora do governo, afirmou em entrevista à Rádio Bandeirantes que não foi racista e preconceituoso em sua publicação no Twitter em que criticava a China usando o personagem Cebolinha, da Turma da Mônica. “Quem disse que eu sou racista, tem que provar que sou racista. Eu não sou racista. Pela minha origem familiar e pela origem pessoal”.

O ministro ainda acusou a China de segurar informações sobre o coronavírus e afirmou que, agora, o país estaria lucrando com leilões de equipamentos hospitalares, como respiradores. A publicação do tuíte por Weintraub gerou críticas na web, sendo que a própria embaixada chinesa repudiou o ministro da Educação. Ele escreveu, usando a fala característica do Cebolinha – que troca a letra “R” por “L”.

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