China reforça resposta contra ‘grave’ situação epidêmica

Uma situação “grave e complexa”: a capital chinesa reforça suas restrições sanitárias, num momento em que o país enfrenta um surto de covid-19 a 100 dias dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim.

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Moradores de Pequim fazem fila à espera de reforço da vacina anticovid, em 30 de outubro de 2021 - AFP

A cidade imperial, que organizou os Jogos de Verão de 2008, deve se tornar a primeira cidade do mundo a receber também os Jogos de Inverno.

Neste contexto, as autoridades, que aplicam uma política de tolerância zero em relação aos casos de covid-19, têm adotado fortes medidas para erradicar um surto, por ora muito limitado, com menos de 300 casos.

No entanto, quatorze províncias são afetadas e o vírus chegou a Pequim há dez dias.

Se esses números podem parecer irrisórios em comparação com os registrados diariamente em outras partes do mundo, pressionam as autoridades a redobrar a vigilância na preparação para as Olimpíadas de Inverno, que terão início em 4 de fevereiro.

Para conter os contágios, todos os cinemas no distrito de Xicheng, em Pequim, terão que permanecer fechados até 14 de novembro, anunciou a prefeitura.

Este distrito, que inclui os bairros localizados a oeste da Praça Tiananmen, tem mais de um milhão de habitantes.

A decisão foi anunciada depois que a China reportou, em nível nacional, 59 novos casos de covid de origem local, um número recorde desde meados de setembro.

Neste contexto, o parque Universal Studios, inaugurado no final de setembro, anunciou hoje a presença de casos de contato entre seus visitantes no último final de semana.

Todos os funcionários tiveram resultado negativo e nenhum vestígio do vírus foi detectado, garantiu o parque, que intensificou a realização de testes entre seus funcionários e a vacinação.

A China, onde os primeiros casos de covid-19 foram descobertos há quase dois anos, controlou amplamente a epidemia em seu solo. A vida voltou ao normal desde a primavera de 2020 e o país registrou apenas duas mortes em mais de um ano.

No entanto, focos localizados aparecem esporadicamente. O mais recente diz respeito a uma área na fronteira com a Mongólia. Um casal de idosos, que havia viajado para lá em uma excursão, ajudou a espalhar o vírus para outras regiões.

No plano sanitário, a situação é “grave e complexa”, admitiu à imprensa o porta-voz do ministério da Saúde, Mi Feng, destacando a rapidez de circulação do vírus.

A proporção de casos graves também é maior do que em surtos anteriores, observou Guo Yanhong, funcionária do ministério da Saúde. Segundo ela, 40% dos pacientes têm mais de 60 anos.

Por precaução, cerca de seis milhões de chineses em todo o país estão confinados.

Assim, e com um rastreio em grande escala, a propagação do vírus pode ser controlada “dentro de um mês”, disse neste sábado o virologista Zhong Nanshan, uma das autoridades da luta contra a covid.

Ele alertou, porém, que o vírus “não pode ser erradicado a curto prazo”.

A entrada em várias regiões está condicionada à apresentação de um teste negativo, especialmente para viajantes de áreas onde foram reportados casos.

Muitos voos nos principais aeroportos de Pequim foram cancelados na sexta-feira, e as autoridades desaconselham deixar a capital.

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