China reitera que Japão reconsidere sobre despejo de água nuclear

Ignorando a oposição interna e internacional, o primeiro ministro japonês Fumio Kishida decide que não irá adiar despejo de água radioativa.

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Ilustração: Chen Xia para o Global Times

Apenas duas semanas após assumir o cargo, o primeiro-ministro japonês Fumio Kishida engatilha dois botões vermelhos no mesmo dia: Primeiro manda oferendas ao Santuário Yasukuni, onde quatorze criminosos de guerra são adorados. Depois, afirma que o despejo das águas contendo dejetos nucleares de Fukushima “não pode ser adiado”, ignorando a oposição tanto interna quanto internacional. É o que afirma Xu Keyue, para o Global Times.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Zhao Lijian, argumentou na última segunda (18) que o “lado japonês deve ouvir a voz da comunidade internacional” e “revogar a decisão errada” de “de avançar nos preparativos para a descarga de águas residuais nucleares no oceano”. Zhao afirmou que esse assunto não é exclusividade do Japão, mas que afeta toda a vida marinha global e uma questão de saúde pública para todos os países da região.

A operadora da usina de Fukushima, a TEPCO, sigla em inglês para a Companhia de Energia Elétrica de Tóquio, planeja construir um túnel submarino de extensão de um quilômetro para facilitar o despejo de mais um milhão de toneladas de águas contendo resíduos nucleares.

Relembre o caso

Após uma tsunami causada por um maremoto de magnitude 8,7, três dos seis reatores nucleares da Central Nuclear de Fukushima, nordeste da ilha de Honshu, do Japão.

Para fins de comparação, 31 pessoas morreram e cerca de 200.000 pessoas evacuadas no acidente de Chernóbil, na Ucrânica Soviética em 1986. Em Fukushima de 2011, 1.600 pessoas morreram e 171 mil evacuadas.

Dados da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos EUA, medem a radiação de Fukushima

Em abril de 2021, o Japão aprovou um plano para despejar a água usada para resfriar o combustível nucelar no oceano, provocando uma reação doméstica e internacional. Taro Azo, então vice-primeiro ministro e ministro das finanças, chegou a afirmar que a água filtrada seria segura para o consumo. Zhao Lijian, porta-voz do ministério das Relação Exteriores da China, desafiou então que o governo japonês a bebesse. Zhao declarou essa operação como “inaceitável”.

Na ocasião, Zhao mencionou a doença de Minamata, causada pela água contaminada por mercúrio despejado no mar por uma fábrica japonesa de produtos químicos, reconhecida pelo Japão em 1956. “O Japão não deve esquecer a tragédia histórica”, disse Zhao.

Para o ministro, antes de seguir com o plano do despejo, o Japão deve aguardar a visita da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que irá visitar o Japão ao final de 2021. Os governos da Coréia do Sul e da República da China (Taiwan) também se opõe à decisão unilateral do Japão.

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