Crise na China: os possíveis impactos do colapso da Evergrande no Brasil

Economistas explicam quais podem ser as consequências do endividamento da gigante chinesa de construção civil no país, mas reforçam que governo chinês deve agir logo

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A crise do conglomerado da construção civil Evergrande, segunda maior empresa chinesa, deu sinais, nesta segunda-feira (20/9), de que pode provocar um colapso no mercado financeiro mundial. Os resultados contábeis da empresa sinalizaram um um endividamento acima do ideal, o que derrubou as Bolsas de Valores por todo o mundo.

A pandemia do novo coronavírus prejudicou o fluxo de caixa da companhia em 2020, e são elevados os riscos de a Evergrande decretar calote e provocar um efeito cascata na segunda economia do planeta, da qual o Brasil é muito dependente. Era o crescimento acelerado da China que vinha sustentando os preços das commodities agrícolas e minerais exportadas pelo Brasil. Se o valor dessas mercadorias despencarem, a economia brasileira, que já está fragilizada pelas tensões políticas e fiscais, vai afundar. O estrago por aqui não ficará restrito à Bolsa, prejudicará o próprio crescimento econômico do país.

De acordo com a economista Catharina Sacerdote, consultora especialista em investimentos, o endividamento é comum no mercado imobiliário, pois é necessário um grande volume para etapas de incorporação e construção, para posteriormente acontecerem as vendas. “A possibilidade de colapso acontece porque o mercado de construção civil, em geral, envolve bancos, material de construção e mão de obra. Dadas as devidas proporções, é bastante parecido com a crise do mercado imobiliário que tivemos no Brasil, mas em uma escala muito maior, tanto porque se trata da China, como por se tratar de uma empresa imensa dentro do país asiático”, comenta.

No entanto, o tamanho da dívida da Evergrande pode, sim, comprometer a economia global, segunda ela. “A chance de a empresa quebrar é grande, e estamos falando de empréstimos que podem comprometer até mesmo as instituições financeiras do país, impacto entre os vendedores de commodities e nas relações com parceiros comerciais do mundo todo”, completa a consultora.

Para a economista, no Brasil, o principal impacto é comercial. “Um dos principais parceiros comerciais é a China, principalmente na área de commodities. Além de a economia estar enfraquecida, o que faz os investidores externos buscarem países mais sólidos para seus recursos”, observa.

A especialista continua: “Muita coisa pode acontecer nessa semana, inclusive um socorro do próprio governo chinês. A China é um dos países com maior poupança do mundo. O governo chinês tem muito poder, mas não se sabe ao certo o tamanho do problema. Espera-se que uma parte muito grande dessa crise seja contida, mas pelo lado financeiro. De qualquer maneira, é bem provável que reduza o comércio da China com outros países e isso tem um impacto imenso para o Brasil”.

Ação do governo chinês é esperada

Na avaliação do economista André Braz, da FGV, uma empresa do porte da Evergrande não entra em falência sem uma contrapartida do governo chinês. “Então ,o mercado reage rápido a esse tipo de notícia e às vezes opera em prejuízo, mas é a característica do mercado muito volátil. Com uma empresa do porte dela dificilmente o governo de chinês não vai deixar isso acontecer. Eles vão entrar com algum tipo de socorro, intervenção”, aposta.

“E o que a gente viu hoje pode ser simplesmente uma volatilidade. A depender das notícias que têm à frente, um dia ruim pode ser superado por um melhor amanhã, vai depender do direcionamento que o governo chinês der a esse problema. Ainda é cedo para a gente concluir alguma coisa a respeito”, afirma o economista da FGV.

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