Decisão de Lewandowski sobre Lula é insultuosa

A decisão de Ricardo Lewandowski de sepultar mais duas investigações contra Lula é esclarecedora e insultuosa. Esclarece que era conversa fiada aquela versão segundo a qual a transferência das encrencas de Lula de Curitiba para Brasília não causaria prejuízos, pois os processos teriam sequencia na Justiça Federal da Capital. Insulta porque Ricardo Lewandowski já nem espera pela reavaliação das provas. Lewandowski antecipa-se aos juízes de primeira instância.

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O ministro impede o reinício dos casos que apuram doações espúrias da Odebrecht ao Instituto Lula. Ele interrompe o curso da investigação sobre a compra de um terreno para a sede do instituto e de um apartamento em São Bernardo do Campo.

Vale a pena atrasar o relógio em 14 anos para entender o contexto. Em agosto de 2007, quando a denúncia da Procuradoria no caso do mensalão foi convertida em ação penal pelo Supremo, Lewandowski atuava como ministro revisor do relator Joaquim Barbosa, de quem divergiu bastante.

Terminada a sessão, Lewandowski foi jantar com amigos num restaurante de Brasília. Em dado momento, levantou da mesa para atender ao celular. Era o irmão, Marcelo Lewandowski.

Para azar do ministro, a repórter Vera Magalhães, acomodada em mesa próxima, ouviu a conversa, que virou notícia na Folha. Lewandowski disse: “A imprensa acuou o Supremo. […] Todo mundo votou com a faca no pescoço.” Ele acrescentou: “A tendência era amaciar para o [José] Dirceu”.

Lewandowski não parecia preocupado com a má repercussão: “Para mim não ficou tão mal, todo mundo sabe que eu sou independente.” Deu a entender que, não fosse pela “faca no pescoço”, poderia ter divergido muito mais do relator Barbosa: “Não tenha dúvida. Eu estava tinindo nos cascos.”

Os comentários de Lewandowski geraram grande repercussão na época. Agora, a decisão de enterrar processos de Lula por razões processuais, sem julgamento do mérito das acusações, demonstra que o ministro Lewandowski talvez continue “tinindo nos cascos.”

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