Em Davos, economistas citam ‘apreensão’ ante atrito entre EUA-China; Pequim se diz ‘aberta ao mundo’

O Fórum de Davos 2023 retorna aos Alpes suíços sob o lema "Cooperação em um Mundo Fragmentado". No evento, o mercado se mostrou preocupado com o efeito da disputa comercial entre Washington e Pequim e a UE se mostrou menos hostil ao diálogo com chineses.

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(Foto: Xinhua/Luo Huanhuan)
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Durante o evento, diversos economistas e chefes de empresas, como da investidora global Fidelity International e da gigante de contabilidade EY, levantaram preocupação sobre o atrito dos Estados Unidos com a China e os impactos que tal distanciamento pode trazer ao mercado financeiro mundial.

O presidente global e CEO da EY, Carmine Di Sibio, colocou seu nível de preocupação com assunto em nove, em uma escala de dez pontos. Já Anne Richards, CEO da Fidelity International, colocou seu nível com uma possível dissociação das duas economias em seis quando questionada durante um painel de discussão, de acordo com a Reuters.

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“A percepção de que uma dissociação completa seria catastrófica para a economia global significa que há um desejo genuíno tanto do lado dos EUA quanto da China de encontrar as áreas onde a cooperação pode acontecer”, disse Richards, citada pela mídia.

Já Di Sibio, da EY, afirmou que os funcionários do governo norte-americano foram “extremamente agressivos” sobre a extensão dos negócios com Pequim, especialmente em tecnologia, acrescentando que esse era o caso em grande parte do Ocidente.

“Precisamos de investimentos da China, precisamos investir na China […] Mas a política está realmente atrapalhando e estou preocupado que não esteja melhorando. Ambos os lados do corredor têm isso como uma parte importante da agenda […]. É a única coisa em que eles podem concordar”, declarou o CEO.

Pequim, por sua vez, disse ao longo do evento, através de seu vice-primeiro-ministro, Liu He, que o gigante asiático “dá as boas-vindas ao investimento estrangeiro e continuará a se abrir para o mundo”.

“A China sempre promoverá uma abertura geral e melhorará o nível e a qualidade da abertura […]. Investimentos estrangeiros são bem-vindos na China, e a porta para a China só se abrirá ainda mais”, disse Liu em um discurso no qual mencionou o fortalecimento da cooperação internacional e a manutenção da paz mundial 11 vezes, segundo a Reuters.

Em Davos, Liu se reunirá com líderes de outros países e membros da comunidade empresarial, incluindo CEOs de empresas financeiras, tecnológicas, de consumo e industriais e, na quarta-feira (18), se encontrará com a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen.

UE se mostra mais receptiva à China

Quem também estava presente no evento era a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que usou de um discurso mais aberto e amigável para Pequim. A presidente disse que o bloco europeu precisa trabalhar e negociar com a China em tecnologia limpa e pressionar por igualdade de condições, em vez de tentar se separar da segunda maior economia do mundo.

Ela ressaltou que o gigante asiático fez do aumento da inovação no setor e da manufatura uma prioridade fundamental em seu plano de cinco anos, dominando assim setores como veículos elétricos e painéis solares.

Ao mesmo tempo, von der Leyen sublinhou que a China subsidia pesadamente sua indústria e restringe o acesso ao seu mercado para empresas da UE.

“Ainda precisaremos trabalhar e negociar com a China, especialmente quando se trata dessa transição. Portanto, precisamos nos concentrar na eliminação de riscos, em vez da dissociação […], mas não hesitaremos em abrir investigações se considerarmos que nossas aquisições ou outros mercados estão sendo distorcidos por tais subsídios”, disse a autoridade europeia, segundo a mídia.

Quando fala em subsídios, von der Leyen menciona a regulamentação de subsídios estrangeiros recentemente implementada pelo bloco.

O gigante asiático e a União Europeia se encontram em diversas disputas comerciais, uma delas foi levada ao painel de julgamento da Organização Mundial do Comércio (OMC) pelo lado europeu, que algumas políticas de Pequim teriam restringido direitos de empresas europeias de protegerem suas patentes, além de embarreirar o comércio com a Lituânia, conforme noticiado.

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