Fake news pró-China em redes sociais se espalham e culpam EUA pela Covid

Uma campanha de desinformação nas redes sociais em apoio a interesses do governo chinês se expandiu para novas línguas e plataformas e até tentou convocar pessoas para protestos nos Estados Unidos, disseram pesquisadores na quarta-feira (8).

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Especialistas da empresa de segurança FireEye e da Google, do grupo Alphabet, disseram que a operação foi identificada em 2019, com centenas de contas em inglês e chinês que tentavam desacreditar o movimento pró-democracia em Hong Kong. O esforço ampliou sua missão e se espalhou do Twitter, Facebook e Google para milhares de operadores em dezenas de sites no mundo todo.

Essa expansão sugere que interesses chineses fizeram um investimento mais profundo no tipo de técnicas de propaganda internacional que a Rússia usa há vários anos, segundo especialistas.

Algumas das novas contas estão em redes usadas predominantemente em países que ainda não tinham sido alvos importantes de propaganda chinesa, como a Argentina. Outras redes têm usuários em todo o mundo, mas com grande porcentagem na Rússia ou na Alemanha.

Informação falsa sobre a Covid-19 tem sido um foco importante. Por exemplo, contas nas redes sociais vKontakte, LiveJournal e outros em russo, alemão, espanhol e outras línguas afirmaram que o coronavírus surgiu nos Estados Unidos antes da China e que foi desenvolvido por militares americanos.

Diversas contas em russo no LiveJournal usaram palavras idênticas: “Fort Detrick nos EUA foi a fonte da Covid-19”, referindo-se à base militar americana em Maryland.

Além de promover informação falsa sobre o vírus, segundo pesquisadores, as prioridades do grupo incluem criticar o empresário chinês exilado Guo Wengui e seu aliado Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, e explorar temores sobre racismo contra asiáticos.

“Observamos uma extensa promoção de conteúdo em russo, alemão, espanhol, coreano e japonês em plataformas baseadas nos EUA ou não, além da atividade típica em inglês e chinês que foi amplamente noticiada”, disse o FireEye em um relatório publicado na quarta. Muitas contas têm links entre si ou usam as mesmas fotos, o que ajudou os pesquisadores a encontrar conexões entre elas.

Muitas postagens repetem afirmações feitas na mídia estatal chinesa e são consistentes com outras iniciativas de propaganda oficial. Os pesquisadores não têm prova do envolvimento de um agente ou aliado específico de Pequim. A embaixada chinesa em Washington não respondeu a um pedido de comentários.

As contas nas principais plataformas dos EUA e grandes redes de outros países, como a vKontakte, sediada na Rússia, tiveram pouca interação com usuários autênticos, disseram os pesquisadores.

“Grande parte são tuítes no vazio”, disse John Hultquist, vice-presidente de análise de inteligência da FireEye.

Alguns posts pediam que as pessoas se manifestassem contra o racismo nos EUA. Além disso, pediram que manifestantes se reunissem em abril diante do que, segundo esses perfis, era a casa em Nova York de Guo Wengui, o rico expatriado chinês, mas houve poucos sinais de que as pessoas compareceram.

As contas fake coordenadas levaram isso em consideração e distribuíram, em vez disso, fotos alteradas de outro protesto em um local diferente.

“Parece que eles são pagos por volume” em vez de engajamento, disse Shane Huntley, diretor do grupo de análise de ameaças no Google.

O YouTube, também da Alphabet, tem removido cerca de mil canais por mês ligados à campanha, embora a maioria promova entretenimento chinês, mais que opiniões políticas ou desinformação.

A qualidade da produção está melhorando, com vídeos de maior resolução e melhores legendas, o que sugere um investimento voltado para o longo prazo.

Embora as contas não tenham tido sucesso em se integrar e atrair seguidores nativos, Hultquist disse estar preocupado que a aplicação de recursos leve ao aperfeiçoamento da técnica e a uma maior disseminação de desinformação.

“Eles claramente têm uma orientação global. Alguém está lhes dando ordens gerais”, disse Hultquist.

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