Greve paralisa parcialmente quatro linhas do Metrô de SP nesta quarta-feira

Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha operam em alguns trechos; a linha 15-Prata está totalmente fechada e a 4-Amarela e 5-Lilás funcionam normalmente, assim como os trens da CPTM. Justiça determinou que 80% dos trabalhadores estejam em seus postos nos horários de pico e 60% nos demais horários.

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Quatro linhas do Metrô de São Paulo estão operando parcialmente na manhã desta quarta-feira (19) devido à greve dos metroviários:

Linha 1-Azul – funciona entre as estações Ana Rosa e Luz;
Linha 2-Verde – funciona entre entre Alto do Ipiranga e Clínicas;
Linha 3-Vermelha – funciona entre Bresser/Mooca e Santa Cecilia;
Linha 15-Prata – Totalmente fechada.
A operação parcial começou às 7h, segundo o Metrô. Antes disso, todas as linhas quatro linhas estavam totalmente fechadas.

A operação parcial começou às 7h, segundo o Metrô. Antes disso, todas as linhas quatro linhas estavam totalmente fechadas.

As linhas 4-Amarela e 5-Lilás operam normalmente, assim como todas as linhas da CPTM.

A SPTrans prevê a oferta de ônibus gratuito ao longo de toda a extensão das linhas 1-Azul (100 ônibus), 2-Verde (60 ônibus) e 3-Vermelha (100 ônibus) com a criação de 6 linhas:

  • Estação Jabaquara – Praça da Sé;
    Tucuruvi – Praça do Correio;
    Santana – Praça do Correio;
    Itaquera – Parque Dom Pedro II;
    Artur Alvim – Parque Dom Pedro II;
    Vila Matilde – Parque Dom Pedro II.

Além disso, algumas linhas regulares vão ter o itinerários alterados.

Pelo menos 2 milhões de passageiros foram impactados pela paralisação, segundo o Metrô. A paralisação parcial não tem data para terminar, de acordo com os metroviários. Uma nova assembleia da categoria deve acontecer no fim da tarde desta quarta (19) para decidir os próximos passos do movimento grevista.

Rodízio e recorde de lentidão no trânsito

Segundo a CET, o rodízio municipal de veículos, que vigora das 21h às 5h, foi suspenso nesta quarta (19). Com isso, a circulação de automóveis estará liberada das 21h desta quarta até as 5h desta quinta (20).

Por causa da greve o índice de lentidão, medido pela CET a partir do banco de dados do Waze, atingiu 161 km de lentidão às 9h da manhã desta quarta-feira (19). O número representa o maior índice de lentidão registrado na cidade no horário da manhã neste ano. O período noturno já apresentou índices maiores, segundo a CET.

EMTU

A EMTU afirmou que os ônibus metropolitanos funcionam normalmente nesta quarta-feira (19) e que pediu o reforço das frotas às 17 empresas que fazem parte do serviço intermunicipal de coletivos da Grande SP.

Estações fechadas

As estações Tucuruvi, na Zona Norte da capital, e Jabaquara, na Zona Sul, amanheceram fechadas. O complexo da estação Itaquera, na Zona Leste, estava aberto ao público, mas apenas para o acesso às linhas da CPTM. Os acessos ao Metrô estavam bloqueados.

Por conta da greve, a plataforma da CPTM em Itaquera estava lotada nas primeiras horas desta manhã, devido ao excesso de passageiros procurando alternativas de transporte.

Greve anunciada

Os metroviários de São Paulo aprovaram a realização de greve a partir da 0h desta quarta. A decisão ocorreu em assembleia nesta terça (18), onde 77,4% da categoria presente votou pela paralisação. Uma liminar da Justiça do Trabalho de 14 de maio determinou que 80% dos trabalhadores estejam em seus postos no horário de pico e 60% nos demais horários, sob pena de R$ 100 mil por dia.

Segundo o sindicato, houve uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT) na tarde desta mesma terça (18), mas o Metrô não enviou representantes, por isso a proposta de greve foi votada na assembleia da categoria.

O secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Alexandre Baldy, disse nesta quarta-feira (19) que o governo de SP têm negociado com os metroviários e ofereceu reajuste de 2,6% nos salários da categoria.

“As tratativas foram realizadas pelo Metrô dentro das últimas semanas, dentro da nossa realidade do momento, das nossas circunstâncias, nós estamos no meio do enfrentamento de uma pandemia da Covid-19. Mesmo em todo esse momento de dificuldade ao longo de 2020 onde o Metrô aportou quase R$ 1 bilhão para manter seus salários em dia, manter toda a operação funcionando. E em 2021 gastou R$ 300 milhões do governo do estado para que dentro dessas circunstâncias oferecer ainda um reajuste de 2,6% e ainda manter os benefícios para que nós evitássemos a paralisação”, declarou.

O coordenador do Sindicato dos Metroviários de SP, Wagner Fajardo, afirmou que a culpa da greve é do governo de SP.

“Nós não estamos reivindicando nenhum aumento salarial. O que nós estamos reivindicando é a reposição de uma perda que há dois anos a gente não tem nenhum tipo de reajuste e mais do que isso, o Metrô nos deve algumas questões que já eram pra ter sido pagas o ano passado, mas ainda não foram. Aliás, nós ficamos ontem esperando no tribunal, o metrô se recusou a ir no tribunal e com toda expectativa tinha uma proposta do Ministério Público que poderia pacificar a situação e o Metrô, em nenhuma hipótese, aceitou pelo menos atender a reivindicação de não tirar nenhum direito do trabalhador”, disse Fajardo.

Em abril, os metroviários já haviam ameaçado fazer greve após reivindicação para que a categoria fosse vacinada contra a Covid-19. Após acordo com o governo de SP, o grupo foi incluído na vacinação junto com os motoristas de ônibus e a paralisação foi cancelada.

A greve parcial dos metroviários nesta quarta (19) não tem data para terminar, segundo o sindicato. Uma nova assembleia da categoria deve acontecer no fim da tarde para decidir os próximos passos do movimento grevista, de acordo com Fajardo. O horário ainda não foi fixado.

Abaixo um quadro aponta as principais reivindicações dos metroviários e a proposta do governo de SP para a categoria.

Nota do Metrô

“É inadmissível que o sindicato dos metroviários, com toda a linha de frente vacinada e com a crise econômica que estamos passando, decida fazer uma greve que irá prejudicar exclusivamente o cidadão que necessita do transporte público para ir ao trabalho.

O Metrô de São Paulo fez uma proposta de acordo salarial aos seus empregados muito acima do que é praticado no mercado de trabalho e previsto na legislação trabalhista. O sindicato certamente vive em uma realidade diferente do restante do país, que sofre com desemprego, perda de renda e fome. O Metrô manteve todos os serviços e seus empregados, apesar do prejuízo de R$ 1,7 bilhão no último ano e de mais de R$ 300 milhões no primeiro trimestre de 2021.

Ainda assim, o Metrô ofereceu a manutenção de diversos benefícios, muito além dos exigidos pela CLT, como o pagamento de vales Refeição e Alimentação, Previdência Suplementar, Plano de Saúde sem mensalidade, hora extra de 100% (CLT determina 50%), adicional noturno de 35% (CLT determina 20%), abono de férias em 60% (CLT determina 1/3), complementação salarial para afastados e auxílio creche/educação, dentre outros.

Reivindicar novos aumentos salariais e de benefícios, punindo a população com a paralisação do transporte público e deixando milhares de pessoas que cuidam de serviços essenciais, como saúde e segurança sem transporte é uma atitude desumana e intransigente. Lamentamos muito que isso esteja ocorrendo e iremos trabalhar para oferecer o melhor transporte possível aos cidadãos. Liminar da Justiça do Trabalho determina manutenção de 80% dos trabalhadores no horário de pico e 60% nos demais horários, sob pena de R$ 100 mil diários”.

CPTM

“Todas as estações da CPTM funcionam normalmente na manhã desta quarta-feira (19/05), com exceção da Estação Corinthians-Itaquera, na Linha 11-Coral, que está totalmente fechada desde o início da operação comercial, as 4h. Esta estação é administrada pelo Metrô. (no início da manhã, o acesso à linha da CPTM foi liberado). As transferências para o Metrô estão fechadas em todas as estações e a segurança foi reforçada nestes locais. A CPTM reforça que está atuando para garantir o transporte de passageiros neste dia atípico”.

A companhia informou ainda que transferências para o Metrô estão fechadas em todas as estações, que reforçou a segurança e que poderá estender o horário de pico em caso de necessidade.

Secretaria dos Transportes Metropolitanos

Em nota, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos do estado de São Paulo (STM) informou que uma liminar da Justiça do Trabalho determina a manutenção de 80% dos trabalhadores no horário de pico e 60% nos demais horários, sob pena de R$ 100 mil diários.

“Reivindicar novos aumentos salariais e de benefícios, punindo a população com a paralisação do transporte público e deixando milhares de pessoas que cuidam de serviços essenciais, como saúde e segurança sem transporte é uma atitude desumana e intransigente. Lamentamos muito que isso esteja ocorrendo e iremos trabalhar para oferecer o melhor transporte possível aos cidadãos”, diz o texto.

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