Inovações e oportunidades na indústria de pneumáticos

Convocado pelo sub-conselho de Shandong do Conselho da China para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT Shandong) em parceria com o LIDE China, o painel apresentou inovações no setor de pneumáticos. Dentre as quais podemos citar automação, Big Data e o uso de Inteligência Artificial para controle de qualidade e, dentre outros, os recursos de infraestrutura e a localização geográfica privilegiada da província de Shandong.

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Nessa quinta-feira (16 de setembro), ocorreu o painel “Promoção no exterior de marcas de pneu da China – Desempenho no Brasil 2021”. O painel é parte da 12ª Exibição Internacional de Pneus de Borracha e Acessórios Automotivos de Guangrao, na província chinesa de Shandong. O encontro está sendo realizado de forma virtual e presencial, com a presença de mais de 680 companhias, incluindo mais de 300 companhias de pneus. Mais de 40 das 75 maiores empresas do ramo, como Goodyear, Dunlop, Maersk, Nexans e Doublestar, confirmaram presença.

O painel do evento foi dividido em três partes, sendo que a primeira contou com a participação dos organizadores do encontro. A primeira fala, feita pelo sr He Zhongjun, vice-presidente do CCPIT Shandong, apresentou a agenda do evento e deus as boas-vindas, ressaltando a parceria Brasil-China. A segunda parte teve a participação de representantes de quatro empresas chinesas do setor que apresentaram seu trabalho. E a última parte do evento foi uma rodada de negociações individualizadas entre empresários brasileiros e chineses.

As falas da abertura do encontro

O sr. He Jun, conselheiro comercial do Consulado-Geral da China em São Paulo, ressaltou o aumento de mais de 30% nas relações comerciais de Brasil-China no último período. Em 2020, essa relação ultrapassou a cifra de US$ 100 bilhões. Segundo o sr. He Jun, “uma empresa de automóveis saiu do Brasil, e uma chinesa entrou”, o que mostraria “a confiança chinesa no mercado brasileiro”. Para garantir o fornecimento de pneus ao mercado automobilístico que está voltando a crescer, a parceria Brasil-China é fundamental.

A cidade de Dongying é uma das maiores exportadoras de pneus do mundo, e já ganhou o reconhecimento da administração brasileira. Segundo o sr. He Jun, São Paulo receberá no próximo ano uma grande exposição sobre técnicas com a borracha e exposição de pneus, dado o prestígio de nível internacional da cidade brasileira: “Atualmente, a COVID-19 trouxe um grande desafio aos dois países. Para responder a esse desafio, promovemos a inovação.”

Apesar da retração de 19,2% nas vendas do mercado de automóveis brasileiro em função da pandemia de COVID-19, o primeiro semestre de 2021 já mostra sinais de recuperação. Depois de ultrapassar a marca histórica de US$ 100 bilhões em comércio com a China, o Brasil registrou um aumento de 8,2% no mês de julho em vendas totais de pneus. É o que informa o CEO do LIDE China, José Ricardo dos Santos Luz Junior, que coordenou o evento junto aos representantes do CCPIT Shandong.

José Ricardo Jr. também lembrou que no último mês de agosto completaram 47 anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre Brasil e China. Se trataria de uma “parceria de ganha-ganha, de respeito mútuo, soberania e de não-intervenção nos assuntos internos do outro país”. O CEO da LIDE China ressaltou que as relações Brasil-China vão além da corrente comercial. Dos US$ 110 bilhões investidos pela China nos últimos 10 anos em investimento estrangeiro direto (IED) na América Latina, o Brasil absorveu 60% do total. Ricardo Jr. disse também que o LIDE China “deseja que essas relações profícuas entre Brasil e China sejam aprofundadas” rumo a “construção de um futuro compartilhado com toda a humanidade”.

Fechando o painel de apresentações, o sr. Liu Jieyuan, presidente do CCPIT da cidade de Dongying, apresentou a cidade, conhecida como a “Capital do Pneu”, e suas vantagens, como a localização geográfica privilegiada e os hubs de transporte convenientes. Segundo o sr. Liu Jieyuan, a cidade é localizada na parte central que conecta o Cinturão Econômico da bacia do Rio Amarelo e a Zona Econômica do Norte, a Zona Econômica Pequim-Tiajin-Heibei e a Zona Econômica da Península de Shandong.

A cidade também tem conexão aérea doméstica para as 22 principais cidades do país, e fica no centro de cidades-nó da malha ferroviária de alta velocidade, e do segundo canal Pequim-Xangai. Além disso, Dongying possui um porto aberto nacional de primeira classe, por onde passaram mais de 60 milhões de toneladas no ano de 2020. Ao final de sua apresentação, o sr. Liu Jieyuan reafirmou a atual alta demanda do mercado de pneus, e disse que o “evento de hoje aumenta a aproximação entre as duas câmaras” e possibilita oportunidades para transportes de carga do Brasil.

Otimização produtiva e um setor estratégico

Após as falas de abertura, quatro empresas do ramo em Shandong apresentaram seu trabalho. O grupo DoubleStar é uma companhia estatal referência em P&D e nos seus avanços tecnológicos no processo produtivo automatizado e inteligente, o que possibilitou um aumento de 300% na velocidade do processo de produção. Além disso, DoubleStar é líder mundial em reciclagem verde de resíduos de pneus, dado seu conhecimento sobre todo o ciclo da borracha.

Estima-se cerca de 60% do transporte de carga no Brasil seja feito pela malha rodoviária. Isso implica em uma alta demanda por pneus não apenas do setor automobilístico, ou de fornecedores e varejistas de pneus, mas de toda uma infraestrutura logística dependente desse mercado. É o que aponta o sr. José Ricardo Jr., segundo o qual o encontro desta quinta teria o objetivo de aproximar o empresariado chinês do brasileiro, “genuinamente interessados pelos avanços tecnológicos das marcas chinesas”. Para Ricardo, o evento cumpriu seu objetivo, dada a presença, por exemplo, da RV Ímola, empresa de logística farmacêutica, que opera com uma grande frota de caminhões.

Preocupações e esperança para as empresas chinesas

Alguns representantes de empresas relataram uma preocupação com o custo do transporte marítimo, o recente recuo do mercado e o escoamento da carga pelo Brasil, dada a infraestrutura brasileira muito limitada à modalidade rodoviária. É o caso dos representes da Winda Group e Douying Fangxing. Preocupação semelhante do represente da Huasheng, que mencionou que com a pandemia de COVID-19, muitas exportadoras de pequeno porte faliram, o que teria levado a um aumento do preço do transporte de produtos para o Brasil.

Mesmo com as adversidades, a confiança chinesa no mercado brasileiro segue inabalada. É unânime a esperança na melhora da situação em um futuro próximo. O representante da Huasheng disse ainda que a “expectativa é muito otimista”, e crê que retomaremos um cenário ainda melhor do que em aquele de 2018, ano em que a companhia de pneumáticos registrou seu melhor desempenho no mercado brasileiro.

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