Intel pede desculpas na China por declaração de seu fornecedor

A fabricante americana de eletrônicos Intel se desculpou com o governo da China nesta quinta-feira, depois que sua carta dizendo aos fornecedores que não comprassem produtos ou mão de obra da região de Xinjiang gerou uma reação negativa, tornando-a mais uma empresa ocidental a tropeçar por questões de direitos no país, de acordo com a agência Reuters.

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A Intel publicou recentemente o que descreveu como uma carta anual aos fornecedores, datada de dezembro, que foi “obrigada a garantir que sua cadeia de suprimentos não use qualquer trabalho ou fonte de bens ou serviços da região de Xinjiang”, seguindo restrições impostas por “múltiplos governos”, sem especificar quais, segundo a agência.

Região de Xinjiang sofre críticas por direitos humanos contra minorias

As críticas acontecem porque países como os Estados Unidos acusaram a China de abusos generalizados dos direitos humanos em Xinjiang, região de uigures predominantemente muçulmanos do país, e dentre esses abusos, estão trabalhos forçados. O governo chinês negou por diversas vezes as acusações da comunidade internacional. 

Em uma declaração em chinês na quinta-feira em suas contas oficiais do WeChat e Weibo, a Intel disse que seu compromisso de evitar cadeias de suprimentos de Xinjiang era uma expressão de conformidade com a lei dos EUA, ao invés de uma declaração de sua posição sobre o assunto. “Pedimos desculpas pelos problemas causados ​​aos nossos respeitados clientes, parceiros e ao público chineses. A Intel está empenhada em se tornar um parceiro de tecnologia confiável e acelerar o desenvolvimento conjunto com a China”, disse a empresa.

A Intel, que tem 10.000 funcionários na China, disse em seu pedido de desculpas que “respeitou a delicadeza da questão na China”, mas por outro lado, nas redes sociais chinesas, há dúvidas sobre o pedido. A hashtag “O pedido de desculpas da Intel é sincero?” foi tendência no Weibo na tarde de quinta-feira no país asiático, de acordo com a agência Reuters.

Outras grandes multinacionais estão sob pressão por causa de seus objetivos de cumprir as sanções relacionadas a Xinjiang, ao mesmo tempo em que continuam operando na China, um grande mercado e base de abastecimento. Segundo a Reuters, o Ministério das Relações Exteriores da China disse que “as acusações de trabalho forçado em Xinjiang são mentiras inventadas por forças americanas anti-China” com o objetivo de desestabilizar a China e impedir seu desenvolvimento.

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