Reino Unido diz que pacto com EUA e Austrália “não é confronto” com China

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse hoje que o pacto de defesa entre o Reino Unido, os Estados Unidos e a Austrália não pretende confrontar a China e que o Indo-Pacífico é cada vez mais o "centro geopolítico da mundo".

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Horas antes, a República Popular da China tinha considerado “extremamente irresponsável” a venda de submarinos de propulsão nuclear à Austrália no quadro do novo tratado de Defesa que envolve também o Reino Unido.

“A cooperação entre os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Austrália no que diz respeito aos submarinos nucleares prejudica de forma grave a paz e estabilidade regionais, intensifica a corrida ao armamento e compromete os esforços internacionais sobre a não-proliferação nuclear”, disse hoje o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, Zhao Lijian, em Pequim.

Em resposta e perante o Parlamento britânico, Boris Johnson insistiu que o objetivo da aliança é apoiar um aliado do Reino Unido e, além disso, “reflete a estreita colaboração com os EUA e a Austrália”.

Os três países confirmaram que a Austrália passa a estar equipada com submarinos de propulsão nuclear, no âmbito de uma aliança que pretende fortalecer a sua presença no Indo-Pacífico.

Este consórcio político começou a ser desenhado há 10 anos, sob inspiração do então Presidente dos EUA, Barack Obama, que lançou a ideia de fortalecer relações no Indo-Pacífico, para dar resposta a ações agressivas da China, em particular no mar da China Meridional.

Ao anunciar o acordo de venda de submarinos nucleares à Austrália, esta semana, nenhum dos líderes mencionou a China, mas Pequim leu o projeto como uma atitude provocatória.

Para o Reino Unido, esta aliança é também uma forma de reafirmar a sua presença global, na era pós-‘Brexit’ e Austrália justificou a aquisição de equipamento militar como uma forma de conduzir patrulhas marítimas mais alargadas.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, disse que já conversou com os líderes do Japão e da Índia, para explicar a nova aliança.

Japão, Índia, Austrália e Estados Unidos já pertencem a uma organização informal, conhecida como ‘Quad’, que terá na próxima cimeira uma cimeira em Washington e que partilha da intenção de conter as aspirações militaristas da China nos mares da região do Indo-Pacífico.

Mas Pequim já alertou para os riscos de um fortalecimento da presença militar destes países na sua região estratégica.

“A tarefa mais urgente é que a Austrália reconheça corretamente os motivos dos reveses nas relações com a China e pense cuidadosamente em que como deve tratar o nosso país: como parceiro ou como ameaça”, avisou hoje Zhao Lijian.

Quem também ficou descontente com o negócio dos novos submarinos nucleares foi a França que viu a Austrália rasgar um contrato de compra de 12 submarinos convencionais franceses, que valia milhares de milhões de euros.

“Foi realmente uma facada nas costas. Construímos uma relação de confiança com Austrália. E essa confiança foi traída”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian.

A Nova Zelândia também foi deixada de fora da nova aliança, apesar de ser vizinha da Austrália e um parceiro tradicional dos EUA e do Reino Unido.

Contudo, a sua política anti-nuclear proíbe a entrada de navios com propulsão nuclear nos seus portos, uma postura que tem sido um ponto crítico com os governos norte-americanos.

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