SCO promove o desenvolvimento pacífico da Eurásia; veja os destaques do encontro

Não-interferência, diálogo, cooperação, solidariedade, segurança e desenvolvimento mútuo. Essas são as palavras-chave que nortearam o encontro da Organização de Cooperação de Shanghai (SCO) realizado nos dias 15 e 16 de setembro.

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(Xinhua/Li Tao)
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Está sendo realizado entre os dias 15 e 16 de setembro o encontro de cúpula da Organização para Cooperação de Shanghai (SCO na sigla em inglês). Realizado em Samarqanda, capital uzbeque, o encontro da organização é uma grande iniciativa na direção do multilateralismo.

Até a semana passada, a organização era composta por oito membros: China, Cazaquistão, Quirguistão, Russia, Tajiquistão, Uzbequistão, Índia e Paquistão. No encontro desta semana, o Irã foi admitido formalmente e Belarus oficializou seu pedido de entrada.

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SCO expandida

O encontro ocorreu em dois formatos, um restrito aos países da organização, e outro em um formato ampliado, com a participação de países interessados em integrar formalmente o bloco, como é o caso de Irã e Belarus.

Irã assinou um memorando de obrigações, o que o deixa a um passo de se tornar um membro permanente da SCO, e que estava previsto desde o encontro do ano passado, em que foi aprovada a participação do Irã. O governo de Teerã convoca os países-membros da SCO a criar mecanismos para manobrar as sanções impostas pelo ocidente contra o país. Espera-se que Belarus assine um documento para se tornar um membro permanente da organização ainda durante as últimas horas do encontro.

Com a oficialização da entrada do Irã, outros países do mundo Árabe foram convidados a se tornarem parceiros de diálogo com a organização. Egito, Catar e Arábia Saudita foram os primeiros convidados. Além dos três mencionados anteriormente, a organização mantém diálogos com Sri Lanka, Turquia, Camboja, Arzebaijão, Nepal, Armenia, Barein, Kuwait, Maldivas, Myanmar e Emirados Árabes Unidos.

Em sua fala da reunião ampliada, o presidente Xi Jinping afirmou que o mundo estaria passando por mudanças aceleradas e irreversíveis “não vistas em séculos”, e teria entrado entre um cenário de incertezas e transformações:

“É preciso aproveitar as tendências do nosso tempo, estreitar a solidariedade e cooperação”, disse Xi.

Xi Jinping instou ainda que os países presentes devem defender a segurança e o desenvolvimento mútuo, e frustrar as tentativas de forças externas de instigar revoluções coloridas e de interferência em assuntos internos sob qualquer pretexto.

No encontro, o presidente russo, Vladmir Putin, criticou as sanções impostas à Rússia pela comissão europeia. Segundo o presidente, a política do país é “desprovida de egoísmo” e que espera o mesmo dos países da organização. Em seguida, instou que abandonassem “instrumentos do protecionismo, sanções ilegais e egoísmo econômico”. Putin disse que há mais de 300 mil toneladas de fertilizantes retidos em portos da União Europeia, os quais Putin estaria disposto a dar para os países em desenvolvimento.

SCO para a paz e a estabilidade regional: Conflito entre Tajiquistão e Quirguistão resolvido em questão de horas

Um conflito fronteiriço entre Quirguistão e Tajiquistão eclodiu na manhã desta sexta (16) enquanto líderes dos países participavam do encontro do SCO. Após serem informados do incidente, os chefes de estado Sadyr Japarov e Emomali Rahmon se reuniram e concordaram com a retirada das forças das zonas fronteiriças, chegando a um acordo de delimitação das fronteiras entre as duas repúblicas. As partes também acordaram em criar uma comissão especial para “investigar as causas do incidente”.

A velocidade propiciada pelo encontro do SCO em solucionar o empasse evidencia a importância da organização, sediada em Beijing, para a estabilidade e a paz na região.

Primeira viagem de Xi Jinping desde a eclosão da pandemia

Antes de ir ao Uzbequistão, Xi Jinping fez uma passagem pelo Cazaquistão, região central para a realização da Iniciativa Cinturão e Rota (BRI). O país é um entreposto entre Rússia, China e os países da Ásia Central, o que o torna também um grande alvo das pressões dos EUA contra a iniciativa.

A visita de Xi ao país foi sua primeira viagem estrangeira após a eclosão da pandemia da COVID-19, o que segundo especialistas demonstra o empenho do presidente chinês para com as relações bilaterais com o Cazaquistão.

Foto: Xinhua

Amizade China-Uzbequistão

Na chegada ao Uzbequistão, Xi Jinping foi agraciado com a Medalha de Ordem da Amizade pelo presidente do país, Shavkat Mirziyoyev. Segundo Mirziyoyev, o presidente chinês tem sido fundamental em aproximar os dois países e reforçar as relações de amizade e confiança mútua. Xi foi o primeiro Chefe de Estado a receber a medalha uzbeque desde sua criação em 2020, considerada a de maior prestígio para homenageados estrangeiros. Xi Jinping disse que os povos dos dois países já constroem uma relação há mais de dois mil anos, e o estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países há 30 anos abriu um novo capítulo para os povos.

Foto: Xinhua

Cooperação trilateral de China, Mongólia e Rússia

Em reunião realizada entre os parceiros da cooperação trilateral, Xi Jinping, Vladmir Putin e Ukhnaa Khurelsukh confirmaram a extensão do Esquema do Plano de Desenvolvimento sobre o Estabelecimento do Corredor Econômico China-Mongólia-Rússia por cinco anos, lançaram oficialmente o estudo de viabilidade sobre a atualização e o desenvolvimento da ferrovia de rota central do Corredor Econômico China-Mongólia-Rússia, e concordaram em impulsionar ativamente o projeto do gasoduto China-Rússia na seção mongol.

Foto: Xinhua/Zhai Jianlan

China e Turquia

No encontro entre Xi Jinping e seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, o esforço de ambas as partes pelo reforço do multilateralismo foi pautado. O presidente chinês instou Erdogan a defender o verdadeiro multilateralismo, apoiar a equidade e a justiça internacionais e fortalecer a cooperação dentro de organizações multilaterais como as Nações Unidas, o Grupo dos 20 e a Organização de Cooperação de Shanghai.

Foto: Xinhua

China e Belarus

Xi Jinping e o presidente da Bielorussia, Alexander Lukashenko, emitiram uma declaração conjunta sobre o estabelecimento de uma parceria estratégica abrangente sob quaisquer condições entre a República Popular da China e a República de Belarus, e assinaram documentos de cooperação em áreas como ciência e tecnologia, assuntos judiciais, agricultura e comércio eletrônico.

Foto: Xinhua/Zhai Jianlan

China e Paquistão

O encontro de Xi Jinping com o primeiro-ministro paquistanês, Muhammad Shehbaz Sharif, seguiu um tom moderado. Xi pediu que o Paquistão mantenha suas garantias no andamento da construção de grandes projetos entre os dois países. A reunião garantiu a assinatura de acordos abrangentes em ferrovias, e-commerce e outras áreas.

Foto: Xinhua/Shen Hong

Envolto em polêmicas devido ao golpe contra o antigo primeiro-ministro Imran Khan, o analista político e militar Andrew Korybko disse que a participação de sucesso de Sharif no encontro do SCO não deve ser atribuído pessoalmente ao próprio Sharif. Segundo Korybko, para Putin e Xi, tanto faz se a contraparte paquistanesa é um “visionário multipolar” ou um “marcador de posição instalado pelos EUA”; o novo multilateralismo proposto por Rússia e China é extremamente pragmático.

China e Rússia

Na quinta-feira (15), os líderes da China e da Rússia protagonizaram o encontro esperado por todo o mundo. Na ocasião, Putin elogiou a posição moderada da China na questão da Ucrânia, e saudou os esforços chineses pelo reforço do multilateralismo:

“As tentativas de criar um mundo unipolar recentemente assumiram uma forma absolutamente repulsiva e são absolutamente inaceitáveis ​​para a esmagadora maioria dos Estados do planeta”, disse Putin.

Putin disse ainda que ainda que o mundo esteja passando por “múltiplas mudanças”, a única coisa que permanece inalterada “é a amizade e confiança mútua” entre os dois países, que segundo o presidente russo segue “estável como as montanhas”.

Xi Jinping, por sua vez, elogiou a comunicação estratégica entre os dois países, os avanços na cooperação bilateral, e a coordenação estreita no cenário internacional “para defender as normas básicas das relações internacionais”.

Para o presidente chinês, mesmo diante das mudanças no mundo, a China deve continuar o trabalho com a Rússia para cumprir suas responsabilidades como grandes países e desempenhar um papel de liderança na “injeção da estabilidade em um mundo de mudança e desordem”.

Sob marcos multilaterais, como a SCO, a Conferência sobre Medidas de Interação e Construção da Confiança na Ásia e o BRICS, os dois lados precisam fortalecer a coordenação e seu papel de liderança para promover a solidariedade e a confiança mútua entre várias partes, expandir a cooperação prática e salvaguardar os interesses de segurança da região, bem como os interesses comuns dos países em desenvolvimento e de mercados emergentes.

Foto: Xinhua
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