Vista grossa? Mídia ocidental ignora revelações ‘assustadoras’ sobre armas biológicas dos EUA

Especialista em teoria das relações internacionais e em segurança comenta gravidade dos documentos revelados pela Rússia sobre laboratórios biológicos na Ucrânia e critica inércia do mundo ocidental com relação ao caso.

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Nesta quinta-feira (14), o diretor das Forças de Defesa Química, Biológica e de Radiação da Rússia, tenente-general Igor Kirillov, revelou detalhes sobre o projeto de armas biológicas dos Estados Unidos em laboratórios na Ucrânia.

Os documentos mostram que os especialistas ucranianos trabalharam na criação de armas de destruição em massa. Os subsídios eram distribuídos pelo Centro de Ciência e Tecnologia Ucraniano (STCU, na sigla em inglês), seguindo interesses do Pentágono.

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O tenente-general apontou, inclusive, nomes dos envolvidos no projeto secreto promovido por Washington. Um dos citados foi o norte-americano Curtis Bjelajac, que ocupava o cargo de diretor-executivo do STCU. Nascido na Califórnia, ele trabalha na Ucrânia desde 1994, de acordo com o levantamento.

O anúncio foi feito com base no resultado da análise documental sobre as atividades biológicas militares dos EUA na Ucrânia.

Segundo Kirillov, os documentos obtidos pelo Ministério da Defesa da Rússia confirmam a conexão entre o STCU e o departamento militar dos EUA. O elo é a empresa de engenharia Black & Veatch, principal contratada do Pentágono.

O ministério revelou que teve acesso a uma mensagem em que o vice-presidente da empresa, Matthew Webber, expressa sua disponibilidade para trabalhar com o STCU na pesquisa biológica militar em andamento na Ucrânia.

O tenente-general Igor Kirillov, diretor das Forças de Defesa Química, Biológica e de Radiação da Rússia, durante pronunciamento sobre laboratórios biológicos norte-americanos na Ucrânia

A professora Isabela Gama, especialista em teoria das relações internacionais e em segurança e pesquisadora pós-doutoranda da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), classificou as revelações como “absolutamente assustadoras”.

Apesar de considerar fundamental uma ampla investigação internacional sobre os novos fatos, ela vê a possibilidade como “bem pouco provável”.

“Honestamente, não acredito. Quase toda a mídia ocidental que comentou o assunto disse que a Rússia está fazendo falsas alegações para tentar desviar a atenção e o foco do público das próprias acusações contra a Rússia, como o caso de Bucha e outras”, ressaltou Gama.

Para a especialista, não há mais compromisso com a verdade, apenas acusações de “espalhar fake news”, sem mesmo se considerar, ao menos, um pedido de investigação.

“Chegamos ao ponto em que me parecem estar levando para um lado de guerra informacional. Os EUA já negaram participação em pesquisas e a utilização de armas químicas na Ucrânia. Acho possível que fique nessa guerra de narrativas”, disse.

Mais de R$ 1 bilhão para o programa

Segundo os documentos revelados, os EUA gastaram 350 milhões de dólares (cerca de R$ 1,65 bilhão) para financiar o projeto na Ucrânia.

Sob direcionamentos de cientistas norte-americanos, especialistas ucranianos estudavam a possibilidade de disseminar cólera, febre tifoide, hepatite A e E através da água. A intenção, relatou Kirillov, seria criar uma situação biológica desfavorável na Rússia e na Europa Oriental.

“Conduziram sistematicamente a amostragem de água em vários rios importantes da Ucrânia, incluindo o Dniepre, Danúbio e Dniester, e também no canal norte da Crimeia, com o objetivo de estabelecer a presença de patógenos particularmente perigosos, incluindo cólera, febre tifoide, hepatite A e E patógenos, e tirar conclusões sobre a possibilidade de sua propagação pela água”, explicou Kirillov.

No início de março, após a descoberta dos laboratórios, o diretor das Forças de Defesa Química, Biológica e de Radiação já havia afirmado que as atividades eram uma violação dos EUA e da Ucrânia da convenção da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre a proibição de armas biológicas e à base de toxinas.

Na ocasião, Kirillov revelou que os países promoveram experimentos com bactérias da peste, antraz e brucelose em um laboratório biológico de Lvov, e com difteria, salmonelose e disenteria nos laboratórios de Carcóvia e Poltava.

Apenas em Lvov foram destruídos 232 recipientes com leptospirose, 30 com tularemia, dez com brucelose e cinco com peste.

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