Para Dilma Rousseff, China passou a ser referência na luta anticapitalista

Ex-presidenta responsabiliza neoliberalismo por fome no Brasil, denuncia EUA por guerra na Ucrânia e defende alianças contra a hegemonia norte-americana

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Dilma Rousseff (Foto: Roberto Stuckert)
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Ex-presidenta do Brasil Dilma Rousseff afirmou no programa 20 MINUTOS ENTREVISTA desta quarta-feira (08/06) que a China se tornou referência na luta anticapitalista, em contraponto ao neoliberalismo liderado pelos Estados Unidos.

“Acompanho muito a experiência chinesa, com inovações principalmente na capacidade do socialismo chinês de mercado. Acho muito interessante”, disse durante a entrevista ao jornalista Breno Altman, fundador do Opera Mundi. 

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Atenta à expectativa de que o processo chinês de transformação se cumpra nos planos social, econômico, cultural e democrático, Dilma atribuiu à escalada neoliberal pós-golpe de 2016 a disparada da fome no Brasil, que hoje atinge 33 milhões de pessoas, citando o desempenho da China na erradicação da pobreza extrema.

Dilma observou durante o programa que nenhum país voltou ao mapa da fome depois de superá-lo, com exceção do Brasil.

A emergência do projeto alternativo na China coincide com o processo de corrosão da hegemonia dos Estados Unidos, inexorável na opinião da ex-presidente. Denunciando os norte-americano pela guerra na Ucrânia, ela recorreu aos teóricos da Guerra Fria, como George Kennan, Henry Kissinger e Zbigniew Brzezinski para descrever o “erro fatídico” da permissão, por parte dos EUA, de uma aliança entre Rússia e China.

“Parece o caminho da insensatez, eles contrariarem os próprios interesses. Não é possível supor que isolarão a Rússia”, avaliou, observando que, até 2030, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês deve ultrapassar o norte-americano. “Cuba tem 60 anos de sanção nas costas e a única coisa que conseguiram foi empobrecer a sociedade cubana, mas não demoveram Cuba do seu processo histórico. Fizeram a mesma coisa com a Venezuela, só que agora fizeram com a segunda potência nuclear, e estão paralisados.” 

Em sua opinião, as sanções desencadeadas contra a Rússia são extremamente graves, pelo grande poder de disruptura que possuem. “Desta vez ficou muito clara a transformação do dólar em arma de guerra”, disse.

O domínio unipolar norte-americano resultante da dissolução da União Soviética, em 1989, tenderia agora para uma relação principal de bipolaridade entre Estados Unidos e a aliança sino-russa. De lá para cá, com a financeirização do capitalismo, esvaziou-se a indústria do país de Joe Biden, em detrimento de redes de fornecimento espalhadas internacionalmente, nomeadas por Dilma de redes globais de valor, um sistema ao qual a China emergente se integrou.

Na visão ideológica liderada pelos Estados Unidos, nenhum país atingiria o crescimento fora do modelo capitalista neoliberal e, por conta do Partido Comunista Chinês, a China não teria condições de chegar a níveis de desenvolvimento maiores. 

“Foi justamente o Partido Comunista Chinês que levou esse projeto à frente”, declarou a petista.

Para ela, o modelo chinês estaria mais próximo dos ideais de uma sociedade socialista, democrática – e que contemple o meio ambiente: “pela primeira vez no tempo histórico, há o reconhecimento de que a sociedade tem que contemplar a capacidade de ter uma relação com a natureza que não seja essa que eleva a temperatura, emite gases de efeito estufa e cria pandemias e doenças”.

E a América Latina?

Ainda durante a entrevista, Dilma defendeu o BRICS, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e priorizado pelos governos petistas. A iniciativa articula um posicionamento independente e soberano do Brasil e dos outros países no espaço internacional, segundo a ex-presidente. 

“Há uma presença forte do Estado na China e na Rússia, idem nos Estados Unidos. A conversa fiada de que Estado deve ser mínimo é conversa fiada”, ironizou.

O mesmo raciocínio vale para as alianças multipolares entre os países da América Latina, “um continente vivendo há mais de 160 anos pacificamente, apesar da fome e da miséria que as nossas elites engendram”. A ex-presidente criticou a exclusão de Cuba, Nicarágua e Venezuela da Cúpula da Américas iniciada na segunda-feira (06/06) e afirmou que, individualmente, não participaria do encontro.

Comentando temas nacionais, Dilma apontou o que implicará a privatização da Eletrobras e se disse “estarrecida” com os editoriais críticos dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo ao Partido dos Trabalhadores (PT) e agarrados ao teto de gastos e à reforma trabalhista, no mesmo momento em que se anuncia o avanço da fome para 33 milhões de brasileiros: “eles são responsáveis por essa situação, não podem se esconder atrás do [Jair] Bolsonaro”. 

A insensibilidade da elite brasileira diante da fome e da miséria, defendeu, está diretamente vinculada aos 350 anos de escravidão e à ausência de universidades no Brasil até o século XIX – à classe dominante local, não interessaria educar brasileiros escravizados ou ex-escravizados. 

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